domingo, 4 de abril de 2010

Gira, Roda do Rock

ATENÇÃO: O texto a seguir é um complemento do texto "Rock: distorcido como nunca antes"

Minha única esperança é acreditar que o rock pode ser considerado uma roda onde em seu início nos anos 50 e 60 ele era bom, mas ainda tinha muito o que mostrar e nos anos 70/80 tenha atingido seu auge e da segunda metade dos anos 90 tenha começado a cair em um abismo, que eu sinceramente espero que seja esse rock atual, pois eu não acredito que pode piorar mais. Porque se piorar vai ser muito difícil de ligar o rádio ou a TV em canais de música ou pensar em ir em algum festival que tenha como objetivo colocar o melhor do rock para o maoir número de pessoas possível. Mas sempre existem as exceções e podemos acabar não vendo claramente no meio de tanta bosta junta e a melhor alternativa é procurar essas exceções para poder frequentar os shows dessas bandas. Isso é o que mais me atrai em ouvir coisas atuais. É poder ir em um show da banda em seu auge e não apenas ficar ouvindo coisas das antigas e ficar sonhando em como seria bom ver o Black Sabbath no auge da carreira com o Ozzy.
Por isso que essa fase negra do rock me preocupa, pois eu não quero viver de sonhos, eu quero viver a realidade. Como seria bom uma banda alcançar a magnitude que o Guns N' Roses já conquistou e na cena nacional a popularidade de um Mamonas Assassinas. Para que daqui a vinte anos meu filho venha a mim e fale: "olha que banda boa de 2010 eu encontrei!". Mas eu não consigo ver alguém em 2015 virar pra mim e falar:"Olha essa banda de 2009 que ganhou o Prêmio de melhor banda de rock do VMB: Forfun, essa banda é foda!"
Porém o meu maior medo é essas bandas que eu considero um lixo sejam mais tarde consideradas bandas tão boas quanto o Nirvana. Pois pode ser que eu tenha caído na velha mania de achar que o velho que é bom.Mas é aí que eu lembro que mesmo tendo mais coisa ruim ainda exista o Muse e The Killers no cenário internacional e Matanza e Tequila Baby protegendo o cenário nacional.
Só resta esperar agora que daqui a 10 anos eu posso estar falando das várias bandas da década 2010 que são fodas, fazendo com que a década seja ao menos comparada a década de 90 que tem suas bandas que já ficaram na história do rock. Por isso roda do rock vamos subir de novo o mais rápido possível.

Rock: distorcido como nunca antes

O que é roquenrol? Tente pensar em 3 grandes bandas históricas do rock, os famosos dinossauros. Agora associe ela a uma das lançadas nos últimos 2 anos. Se você conseguiu, me ensine como fez.
O rock que eu conheço nasceu entre os anos 40 e 50, como uma puta mistura de músicas diferentes, com guitarras distorcidas, baixo, teclado e bateria e normalmente o vocalista nem um virtuoso precisava ser (que me desculpem Robert Plant, Freddie Mercury e afins). O protesto podia ser pelo preço da droga, ou até mesmo por coisas ainda mais banais, mas tinha que haver, ainda que fosse só uma postura. Os rockstars andavam de jaquetas pretas, ficavam sem camisa, mas mantinham sua excentricidade e muitos deles hoje são dados como deuses.
O rock que ouço hoje não sei quando nasceu, mas tem vocalistas usando calças coloridas, batidas eletrônicas, bandas absolutamente iguais, nenhum protesto, nenhuma vontade de mudar, e pior, vontade de serem todos iguais.
O desejo de mudança ficou tão bobo que passaram a lutar contra si mesmos, cantando umas mazelas que duvido que existam no mundo de um menino da zona nobre de São Paulo, talvez prevendo o futuro dos twitteiros e blogueiros que não saem de casa (eu ainda ouço música de qualidade, acima de tudo). Solos de guitarra? Crime inafiançável! Dois bends e o guitarrista já teve seu tempo suficiente (uma vez ouvi "Sweet Child O'Mine" no rádio e na hora do incrível solo de Slash, cortaram a música, emendando outra completamente diferente, desmerecendo o trabalho do pobre menino da cartola).
Há uns dias atrás ouvi um dos músicos da banda Restart dizer à MTV, em um programa, que ele era "auto-didata" no baixo. NÃO! Auto-didata é Mike Portnoy. Você, amigo, não aprendeu ainda, seja baixo ou o que for. O problema nem está aí, o Ramones tinha músicas com 3 acordes (aliás, todas elas) mas são um dos inesquecíveis do rock. Kurt Cobain tocava guitarra com pouquíssima desenvoltura mas o Nirvana também está no hall da fama dos roqueiros.
A mesma MTV deu o prêmio de "Melhor banda de rock" aos cariocas do Forfun - Céus, o que fizeram com o Titãs, Paralamas, Angra, Dr. Sin? Estavam suspensos e não competiram? - absolutamente nada contra o som do Forfun, mas tudo o que aquilo não é, é rock'n roll. Pra quem discorda de mim, ouça a faixa "Sol e chuva" e leia o texto de novo.
Acho legais as batidas eletrônicas e também não me fecho ao rock clássico, até porque bandas do século XXI ainda salvam a safra ensacada no termo "rock and roll" por engano, ledo engano.
Pode ser que eu seja relutante à passagem do tempo, mas o que fizeram com o pobre rockinho foi terrível. Distorceram o menino rebelde e corajoso, que tocava sua guitarra feita em casa, até ele virar um mirradinho rapaz de roupas coloridas e apertadas, que programa a maioria das suas músicas em um computador.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Franz Ferdinand: this fire is out of control

A banda escocesa de rock, Franz Ferdinand se apresentou em Brasília no último dia 21. Em uma pontualidade britânica o grupo subiu ao palco do Marina Hall pouco depois das 21h, após o show dos brasilienses da The Pro.
Conforme sempre esperado, o público chegou ao local poucos minutos antes das 21h e muitas pessoas nem viram os caras tocarem Auf Achse, primeira do setlist. Com No You Girls e os espectadores quase todos acomodados, o clima começou a esquentar, literalmente: a multidão que se amontoava nos 30 metros próximos ao palco pulava insandecidamente e ao som de Tell Her Tonight alguns rapazes já tiravam suas camisas e as moças prendiam seus cabelos.
A empolgação de Alex Kapranos era visível: o músico subiu nos amplificadores e até arriscou um "mais alto", indo muito além do "boa noite, Brasília" ou do "muito obrigado". Com a chegada dos clássicos Take Me Out e Do You Want To, o clima ficou quase "irrespirável", causando até mesmo mal estar em alguns presentes, que mal podiam se refrescar, apesar da promoção de água: 4 reais a garrafa, pela tamanha lotação. O Franz Ferdinand teve em suas mãos todos os ingredientes para um grande show de rock e não titubeou, clássico após clássico, a banda deixava os brasilienses mais enlouquecidos e durante This Fire, a temperatura deve ter ficado entre os 50ºC.
Ulysses, 40ft, os quatro na bateria de Outsiders, Walk Away, e a banda se sentia absolutamente em casa com o não imenso, porém feroz, público.
Lucid Dreams fechou a festa. E depois da completa desconstrução e reconstrução da faixa, o que podia se ver era um chão completamente encharcado e o semblante exausto dos adolescentes, adultos, crianças e até idosos que tinham acompanhado e inevitavelmente, sentido a intensidade dos escoceses.
O bom som e a boa apresentação da banda fizerem do show, para aqueles que não passaram mal com o calor, um espetáculo inesquecível.