Há várias semanas no ar na Rede Globo, o The Voice Brasil é
sem dúvidas um programa de calouros com um requinte raro na TV
brasileira. E bota raro nisso.
Por quê? Não se vende música no nosso país. Talvez essa seja
a explicação do sucesso do sertanejo universitário. Aqui, o que faz sucesso não
é banda nem técnica. Se BB King fosse brasileiro, provavelmente ia ser
conhecido como “o gordo da música lenta”. A gente compra carisma e festa:
música brasileira tem que ter metaleira, coreografia e gente pulando. Os tais
“showmen”.
Aí está o problema. A franquia “The Voice” tem como
diferencial suas audiências cegas: o que realmente importa é a voz. Quer dizer,
importa até dado momento, quando passa a valer o voto popular. Por isso, a
mistura com a nossa cultura é explosiva: pode dar certo, mas pode dar muito errado.
O leque de opções é qualificado e o programa conta com nomes
que já fazem sucesso há muito tempo em seus nichos. É música boa – e por
ventura um sertanejo também - no horário
nobre da TV. Realmente para emocionar.
Porém, apesar de serem todos incontestavelmente bons, alguns
são gênios, enquanto boa parte é composta de cantores acima da média. A única certeza é
que nenhum deles até agora apresentou o estilo saltitante carnavalesco que vemos nos programas de auditório há longos anos.
Sinceramente, não que baste cantar parado, afinal, dominar
o palco é uma arte praticada por poucos. Mas quando eu quero ver gente maquiada
pulando, dando pirueta e dançando para o público, eu vou ao circo. E no The Voice não tem mico.
A questão é que nossa peculiaridade não demorou a dar as caras. Eu não torço para ninguém, pois o cartel conta com pelo menos 5 opções
incontestáveis. E cá para nós, nem o mais qualificado jurado é capaz de
comparar coisas incomparáveis, que dirá então, o povo. Resultado? Ganha quem,
por vezes, não canta tão bem, mas é bonito, canta músicas mais populares e um
dia venderá mais discos. É uma peneira às avessas.
Afinal, mesmo que o BB King estivesse lá, alguém ia dar um
jeito de dizer que “gordo na guitarra em música lenta” não vende e que a tendência
é outra.
Se showman não precisa cantar, imagina então formar um que
realmente canta. É muito lucro. Uma chance de termos um novo Robson no pedaço
em 2013.
Mas se vamos colocar coisa boa na rua, que seja o melhor, e não um intérprete acima da média, com carisma e beleza, mas sem a menor pegada para bater de frente com tanta coisa ruim que a mídia vem cuspindo.
Não que seja ruim, mas olhando assim, a nossa versão
tem muito mais de Brasil que de The Voice. Deus queira que eu esteja errado. Ninguém precisa de
um novo Robson.