quinta-feira, 22 de novembro de 2012

The Voice Brasil: A voz do povo é a voz de Deus?


Há várias semanas no ar na Rede Globo, o The Voice Brasil é sem dúvidas um programa de calouros com um requinte raro na TV brasileira. E bota raro nisso.
Por quê? Não se vende música no nosso país. Talvez essa seja a explicação do sucesso do sertanejo universitário. Aqui, o que faz sucesso não é banda nem técnica. Se BB King fosse brasileiro, provavelmente ia ser conhecido como “o gordo da música lenta”. A gente compra carisma e festa: música brasileira tem que ter metaleira, coreografia e gente pulando. Os tais “showmen”.  
Aí está o problema. A franquia “The Voice” tem como diferencial suas audiências cegas: o que realmente importa é a voz. Quer dizer, importa até dado momento, quando passa a valer o voto popular. Por isso, a mistura com a nossa cultura é explosiva: pode dar certo, mas pode dar muito errado.
O leque de opções é qualificado e o programa conta com nomes que já fazem sucesso há muito tempo em seus nichos. É música boa – e por ventura um sertanejo também -  no horário nobre da TV. Realmente para emocionar.
Porém, apesar de serem todos incontestavelmente bons, alguns são gênios, enquanto boa parte é composta de cantores acima da média. A única certeza é que nenhum deles até agora apresentou o estilo saltitante carnavalesco que vemos nos programas de auditório há longos anos.
Sinceramente, não que baste cantar parado, afinal, dominar o palco é uma arte praticada por poucos. Mas quando eu quero ver gente maquiada pulando, dando pirueta e dançando para o público, eu vou ao circo. E no The Voice não tem mico.
A questão é que nossa peculiaridade não demorou a dar as caras. Eu não torço para ninguém, pois o cartel conta com pelo menos 5 opções incontestáveis. E cá para nós, nem o mais qualificado jurado é capaz de comparar coisas incomparáveis, que dirá então, o povo. Resultado? Ganha quem, por vezes, não canta tão bem, mas é bonito, canta músicas mais populares e um dia venderá mais discos. É uma peneira às avessas.
Afinal, mesmo que o BB King estivesse lá, alguém ia dar um jeito de dizer que “gordo na guitarra em música lenta” não vende e que a tendência é outra.
Se showman não precisa cantar, imagina então formar um que realmente canta. É muito lucro. Uma chance de termos um novo Robson no pedaço em 2013.
Mas se vamos colocar coisa boa na rua, que seja o melhor, e não um intérprete acima da média, com carisma e beleza, mas sem a menor pegada para bater de frente com tanta coisa ruim que a mídia vem cuspindo. 
Não que seja ruim, mas olhando assim, a nossa versão tem muito mais de Brasil que de The Voice. Deus queira que eu esteja errado. Ninguém precisa de um novo Robson.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O (novo) Rock (finalmente) in Rio

Foi anunciada nessa semana a presença da banda Muse no Rock in Rio 2013. Isso representa não só o retorno em massa do rock and roll para a cidade maravilhosa, mas a presença do novo rock em um festival que tenta (e consegue) se reinventar.
A edição de 2011 fincou a bandeira da marca novamente no Brasil, mas não foi unânime. Muita gente reclamou das pixotadas na programação nem tão rock and roll. Talvez por isso, a organização fez questão de apresentar de cara para 2013 alguns dinossauros do bom rock: Metallica, Alice in Chains, Bruce Springsteen, Sepultura e Iron Maiden.
O delírio foi instantâneo. Mas, como fã de todas essa bandas, confesso a dor no peito de não ver nada de novo em um evento que vai perdurar no Brasil. Apesar de ainda tocarem para caralho, estão todas no ciclo final da carreira. “E daí? Os caras ainda são foda!!”. E daí que a marca fica cada vez mais forte (leia-se rica) e em breve perderá sua mão-de-obra. Isso só aumenta a chance de termos Luan Santana no Rock in Rio 2020.
Calma, não se mate.
Aí que entram os ingleses do Muse. Em 2010, os gringos fizeram um puta show no Rock in Rio Lisboa (vídeo) e por mais discreta que tenha sido a passagem pelo Brasil em 2008, o sucesso dos filmes neo vampirescos e a participação na turnê do U2 popularizaram seu magnífico som: solos de guitarra, baixo distorcido, batidas sampleadas e vocais sintetizados. A roupagem misteriosa de um (enfim novo) rock and roll está de volta ao país.



O show do Muse no Rock in Rio representa mais do que um novo componente em uma programação que tem tudo para ser avassaladora. Ele é o braço estendido no peito do Luan Santana e Cláudia Leitte. Uma esperança de que a era do rock está apenas começando.
E não que 2013 seja unânime. Mas que já está mostrando ao que virá, está.



terça-feira, 20 de novembro de 2012

O Rock e o que Face dele


Atualmente vem se propagando na internet um sincretismo musical que antes só existia em um lugar: na boca dos “ecléticos”. Sim, “ecléticos”. Porque, na verdade, quem escuta de tudo, geralmente não gosta mesmo é de nada.
E com o boom das redes sociais,  esse tal ecletismo veio à tona com um argumento muito mais forte: se temos acesso a tudo, por que não ouvir tudo? Pode ser em casa, no trabalho, na faculdade e até no ônibus. O grande barato é compartilhar música, seja ela ruim ou boa.
O problema é que quem é eclético não liga muito para essa suruba musical. E aí entra um fato curioso: o pagodeiro, o sertanejo, o sambista e o funkeiro acabam por ouvir sua música favorita nessa mistura e aceitam melhor a participação na orgia auditiva. Só quem realmente se incomoda com isso é quem é rockeiro. E que, na verdade, se torna um verdadeiro chato por reclamar dos outros estilos em qualquer lugar e posar tal qual Slash de cara amarrada.
Tá bom que Gusttavo Lima, Michel Teló e Calcinha Preta são uma porcaria. Mas e o rock? Como anda? Será que ele não quis mesmo entrar na festa? Que rockeiro é esse que não gosta de suruba?
O sertanejo universitário ainda lembra o sertanejo, o pagode ainda tem cara de pagode e o axé continua aquele axé do Luís Caldas. Mas o rock não. O menino revoltado mudou. Do estilo aos instrumentos, o rock está cada vez mais distante daquilo que um dia tocou nas festas, nos bares, no trabalho e na faculdade e pior: fez sucesso.
De quem é a culpa? Do facebook? Esses dias eu vi em minha timeline uma banda que dizia tocar rock, mas na tentativa de copiar alguém, tocava qualquer coisa, menos rock and roll. A bateria não tinha peso, o baixo tocava tríade, a guitarra não fazia solo e pra piorar, tinhas umas batidas eletrônicas misturadas a um violino e um sax no fundo, querendo dar um ar de novidade para a mistura toda.
Desculpe, mas isso não é rock and roll. Isso é tipo um travesti: tem um monte de acessórios e todo mundo vê que ele não é aquilo que acredita ser. Tem gente que curte, quem curte não admite, e ainda tem quem queira enfiar a porrada sem nem mesmo saber por quê.
É triste admitir isso, mas talvez o rock tenha acabado. “Porra, como o rock acabou? Olha aqui o meu espírito rock and roll!!!”. Enquanto a cada verão surgem 139 novos hits com ritmos inesgotáveis, o rock repete uma fórmula batida e, quando tenta inovar, é rejeitado pelos próprios rockeiros durões: “Isso é música de viadinho!”, “Isso não é rock and roll!”, “Toca Raul!”.
Mudar o rock não é sacrilégio. Mas para experimentar, não precisa ser escroto. Afinal, se tem uma coisa que o rock não é, é ruim. E o que a molecada tem feito não vende. Nem mesmo se o Rafinha Bastos disser que é legal. E ele não vai.
E a resposta para a falta de sucesso é uma só: o que toca no rádio é ruim, e o que é bom, é música de velho. E por melhor que os bons sejam, todo mundo sabe, não dá para comer ninguém (nem fazer dinheiro) com música de velho.
Serguei que não me ouça, mas seus discípulos colocam cada vez mais terra por cima de seu pai. RIP Rock and Roll.