terça-feira, 20 de novembro de 2012

O Rock e o que Face dele


Atualmente vem se propagando na internet um sincretismo musical que antes só existia em um lugar: na boca dos “ecléticos”. Sim, “ecléticos”. Porque, na verdade, quem escuta de tudo, geralmente não gosta mesmo é de nada.
E com o boom das redes sociais,  esse tal ecletismo veio à tona com um argumento muito mais forte: se temos acesso a tudo, por que não ouvir tudo? Pode ser em casa, no trabalho, na faculdade e até no ônibus. O grande barato é compartilhar música, seja ela ruim ou boa.
O problema é que quem é eclético não liga muito para essa suruba musical. E aí entra um fato curioso: o pagodeiro, o sertanejo, o sambista e o funkeiro acabam por ouvir sua música favorita nessa mistura e aceitam melhor a participação na orgia auditiva. Só quem realmente se incomoda com isso é quem é rockeiro. E que, na verdade, se torna um verdadeiro chato por reclamar dos outros estilos em qualquer lugar e posar tal qual Slash de cara amarrada.
Tá bom que Gusttavo Lima, Michel Teló e Calcinha Preta são uma porcaria. Mas e o rock? Como anda? Será que ele não quis mesmo entrar na festa? Que rockeiro é esse que não gosta de suruba?
O sertanejo universitário ainda lembra o sertanejo, o pagode ainda tem cara de pagode e o axé continua aquele axé do Luís Caldas. Mas o rock não. O menino revoltado mudou. Do estilo aos instrumentos, o rock está cada vez mais distante daquilo que um dia tocou nas festas, nos bares, no trabalho e na faculdade e pior: fez sucesso.
De quem é a culpa? Do facebook? Esses dias eu vi em minha timeline uma banda que dizia tocar rock, mas na tentativa de copiar alguém, tocava qualquer coisa, menos rock and roll. A bateria não tinha peso, o baixo tocava tríade, a guitarra não fazia solo e pra piorar, tinhas umas batidas eletrônicas misturadas a um violino e um sax no fundo, querendo dar um ar de novidade para a mistura toda.
Desculpe, mas isso não é rock and roll. Isso é tipo um travesti: tem um monte de acessórios e todo mundo vê que ele não é aquilo que acredita ser. Tem gente que curte, quem curte não admite, e ainda tem quem queira enfiar a porrada sem nem mesmo saber por quê.
É triste admitir isso, mas talvez o rock tenha acabado. “Porra, como o rock acabou? Olha aqui o meu espírito rock and roll!!!”. Enquanto a cada verão surgem 139 novos hits com ritmos inesgotáveis, o rock repete uma fórmula batida e, quando tenta inovar, é rejeitado pelos próprios rockeiros durões: “Isso é música de viadinho!”, “Isso não é rock and roll!”, “Toca Raul!”.
Mudar o rock não é sacrilégio. Mas para experimentar, não precisa ser escroto. Afinal, se tem uma coisa que o rock não é, é ruim. E o que a molecada tem feito não vende. Nem mesmo se o Rafinha Bastos disser que é legal. E ele não vai.
E a resposta para a falta de sucesso é uma só: o que toca no rádio é ruim, e o que é bom, é música de velho. E por melhor que os bons sejam, todo mundo sabe, não dá para comer ninguém (nem fazer dinheiro) com música de velho.
Serguei que não me ouça, mas seus discípulos colocam cada vez mais terra por cima de seu pai. RIP Rock and Roll.

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