Atualmente vem se propagando na
internet um sincretismo musical que antes só existia em um lugar: na boca dos
“ecléticos”. Sim, “ecléticos”. Porque, na verdade, quem escuta de tudo,
geralmente não gosta mesmo é de nada.
E com o boom das redes sociais, esse
tal ecletismo veio à tona com um argumento muito mais forte: se temos acesso a
tudo, por que não ouvir tudo? Pode ser em casa, no trabalho, na faculdade e até
no ônibus. O grande barato é compartilhar música, seja ela ruim ou boa.
O problema é que quem é eclético
não liga muito para essa suruba musical. E aí entra um fato curioso: o
pagodeiro, o sertanejo, o sambista e o funkeiro acabam por ouvir sua música
favorita nessa mistura e aceitam melhor a participação na orgia auditiva. Só
quem realmente se incomoda com isso é quem é rockeiro. E que, na verdade, se
torna um verdadeiro chato por reclamar dos outros estilos em qualquer lugar e
posar tal qual Slash de cara amarrada.
Tá bom que Gusttavo Lima, Michel
Teló e Calcinha Preta são uma porcaria. Mas e o rock? Como anda? Será que ele
não quis mesmo entrar na festa? Que rockeiro é esse que não gosta de suruba?
O sertanejo universitário ainda
lembra o sertanejo, o pagode ainda tem cara de pagode e o axé continua aquele
axé do Luís Caldas. Mas o rock não. O menino revoltado mudou. Do estilo aos
instrumentos, o rock está cada vez mais distante daquilo que um dia tocou nas
festas, nos bares, no trabalho e na faculdade e pior: fez sucesso.
De quem é a culpa? Do facebook?
Esses dias eu vi em minha timeline uma banda que dizia tocar rock, mas na
tentativa de copiar alguém, tocava qualquer coisa, menos rock and roll. A
bateria não tinha peso, o baixo tocava tríade, a guitarra não fazia solo e pra
piorar, tinhas umas batidas eletrônicas misturadas a um violino e um sax no
fundo, querendo dar um ar de novidade para a mistura toda.
Desculpe, mas isso não é rock and
roll. Isso é tipo um travesti: tem um monte de acessórios e todo mundo vê que
ele não é aquilo que acredita ser. Tem gente que curte, quem curte não admite,
e ainda tem quem queira enfiar a porrada sem nem mesmo saber por quê.
É triste admitir isso, mas talvez o
rock tenha acabado. “Porra, como o rock
acabou? Olha aqui o meu espírito rock and roll!!!”. Enquanto a cada verão
surgem 139 novos hits com ritmos inesgotáveis, o rock repete uma fórmula batida
e, quando tenta inovar, é rejeitado pelos próprios rockeiros durões: “Isso é música de viadinho!”, “Isso não é rock and roll!”, “Toca Raul!”.
Mudar o rock não é sacrilégio. Mas
para experimentar, não precisa ser escroto. Afinal, se tem uma coisa que o rock
não é, é ruim. E o que a molecada tem feito não vende. Nem mesmo se o Rafinha
Bastos disser que é legal. E ele não vai.
E a resposta para a falta de sucesso
é uma só: o que toca no rádio é ruim, e o que é bom, é música de velho. E por
melhor que os bons sejam, todo mundo sabe, não dá para comer ninguém (nem fazer
dinheiro) com música de velho.
Serguei que não me ouça, mas seus
discípulos colocam cada vez mais terra por cima de seu pai. RIP Rock and Roll.
Nenhum comentário:
Postar um comentário